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De A Onça e a Diferença

Essa página é apenas minha?


É apenas sua, mais ou menos. Outros podem mexer como vc vê. Mas por que o fariam? Talvez apenas para comentar as contribuições que vocé (este usuário) fez, algo assim. Vou olhar como essas páginas são usadas em outros wikis.Outra coisa possível é usar este tipo de página individual como um caderno de notas de cada usuário--200.216.41.22 19:59, 22 Mai 2005 (UTC) (Isso aí sou eu Eduardo que esqueceu de logar com meu pp. nome de usuário, entrei como um nº).

Não precisava dizer que era você. Não sei como te enviar uma mensagem por aqui. Obrigada. T.



aí cessa a analogia

A PESCA MILAGROSA

Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, podia-se com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é ler <distraidamente>. (Clarice Lispector)


Dia primeiro de março

Levaram um mês navegando para Guanabara, porque os ventos não deixavam a frota lusa avançar. As canoas, porém, sem se importar com o tempo, voaram até a boca da barra com os guerreiros de Araribóia. Aí foi faltando água e mantimentos. Então o pessoal se afobou: ou entravam para brigar logo com fome e tudo, ou iam para as sua casas. Ficar ali esperando a moleza dos navios grandes era que não. Anchieta compreendeu o insucesso da expedição que tanto esforço custara, e apelou para a sua fé: que esperassem um bocadinho de nada, e navios com mantimentos apontariam. O missionário parecia ver longe mais que os marujos: daí a pouco surgiram em cima dele as velas de João de Andrade, que de S. Vicente tinha ido buscar víveres na Bahia. Só milagre, porque logo de madrugada chegou Estácio na sua capitânea, podendo no primeiro dia de março [1565] toda gente saltar ali perto do Pão de Açucar, na Praia Vermelha ou no Morro de São João, parece (Há uma discussão como muitas outras quanto a este ponto). Então principiaram a derrubar mangue, fazer barro bom de taipa, cavar alicerces, enfincar estacas, para começar a cidade mais falada do Brasil. Anchieta benzeu aquele começo, Estácio de Sá mandou levantar baluartes e assentar peças de defesa. Pensaram para botar um nome bom, guerreiro e devoto como eles mesmos, na cidade. São Sebastião! Botaram. As armas imaginadas foram um feixe de setas. Mas a água com que fizeram barro, ali perto embrejada, sezonou os habitantes. O mangue fervilhava de maruins. De noite a saparia gritava nos charcos. (Jorge de Lima, “Anchieta” In: Poesia Completa vol-2 pp. 442-443)


<Com a música e a harmonia, eu atrevo-me a atrair para mim todos os indígenas da América.> As mariposas selvagens atraídas pelo foco luminoso seriam sem querer abrasadas pelo amor divino. A tudo se estende o bojo da caridade, sangrando, ou bordando com o contraponto flores e colores para o selvagem. Dava música, dava canivetinhos, dava a bondade, dava um remédio de casca de pau; vem, tupinambá, vem! — dava um espelhinho; vem tamoio, vem! vem, caeté! vem, carijó! vem, brasil! — anestesiava o índio, tirava o coração vivo para Jesus. (Jorge de Lima)



Mensagem de um índio anestesiado

Achei legal teus comentários na minha página. Deixa (como sempre) eu ruminar mais um pouco sobre eles. Mas antecipo que não ligo demais para a inversão de natureza e cultura. Pelo menos não como se significasse a mesma coisa ao contrário. Mas eu tinha outra coisa para falar: que tal a gente fazer no começo de 2006 um mini-encontro para balanço do conceito etno-amazônico de perspectivismo ao cabo de coisa de uma década de sua existência oficial? Então a gente podia re-passar todas as questões e variações que vão-se acumulando (e irão mais ainda até lá) neste wiki.--EVC 15:54, 3 Ago 2005 (UTC)



La forme n’est pas au dehors, mais au dedans. (Lévi-Strauss)


O cativo era uma espécie de <jabuti com plumas>. (Ewese Karaiwa)


Il n'y a pas d'apprenti qui ne soit <l'égyptologue> de quelque chose. (Deleuze, PS, 10)


... chaque essence est une patrie, un pays. ((Deleuze, PS, 56)


...l’associationnisme est moins demodé que la critique de l’associationnisme. (Deleuze, PS, 56)


L’araignée non plus ne voit rien, ne perçoit rien, ne se souvient de rien... Sans yeux, sans nez, sans bouche, elle répond uniquement aux signes, est pénétrée du moindre signe qui traverse son corps comme une onde et la fait sauter sur sa proie. (Deleuze)


Vi: o que guerreia é o bicho, não é o homem. (apud Ana Luiza)




Da série Kafquianas Ameríndias

... Um guarda apontou a arma para mim. Ele me disse para passar por uma porta. Passei. O quarto estava cheio de uma luz bonita. O guarda me deu um relógio e me disse que eu podia sair a uma certa hora. Trancou a porta. Olhei o relógio e me dei conta que não sabia ler as horas. Soprava um vento e havia um cheiro esquisito.

In “O branco dos meus sonhos”, de Thomas Gregor (Anuário Antropológico 82: 53-68, 1984. pp. 67)


Hoje sonhei com um jumento semelhante a um galgo, de movimentos muito comedidos. Observei-o com atenção por estar consciente de que era uma aparição insólita, mas só me lembro de que não gostei de seus pezinhos de gente, longos e homogêneos (…) Depois o assunto era que o tal jumento nunca tinha andado nas quatro patas, mas sempre mantivera uma postura humana, empinando a barriguinha e o peito de brilho prateado. Mas no fundo isso não era certo. (Kafka, Diário, 29/10/1911)


<[M]eu pai contou que certa ocasião, acompanhado de muitos Tenetehara, foi acampar na mata para tirar óleo de copaíba. Arrancharam cedo e um grupo saiu para caçar. O cunhado de meu pai percebeu um guariba sentado num pau. Trepou na árvore e atirou de muito perto. Ferido, o guariba começou a gemer como um homem baleado. Levantou e foi sentar num galho adiante, agarrando a cabeça com as mãos. Súbito despareceu num salto. O cunhado voltou para o acampamento. Pegou doença e não pôde levantar da rede. Morreu ao fim do dia.> Foi um guariba-onça, guariba com piwára, explicou José, pois um caçador viu que o guariba era parecido com onça (Wagley e Galvão 1961: 114).(Relato de José Viana Tenetehara)



Tânia, definitivamente acho que é urgente dar mais atenção ao(s) urubu(s). O mito karaja do urubu-rei também é uma prova disso (ver tese da Nathalie Pétesch, acho, preciso achar a referência). Você que entende mais da ediçao do wiki sera que podemos abrir um iten ou seção URUBU ? Vc pode me mandar o mito tenetehara ? Obrigada. Bjs, Oiara.


Tânia estou tentando editar uma versão do mito karaja nas paginas imortais. Mas tenho problemas com os dialogos, estou tentando ajeitar o texto para ele ficar mais claro. Essa versão achei no meu material de campo, mas esse mito continua até quando o urubu começa a voltar pro céu e grita para o heroi mitologico o segredo da imortalidade, mas ele ja esta longe demais e o heroi não consegue ouvi-lo. OBJ 12:17, 11 Dez 2005 (UTC)

Oi ! Obrigada pela correção da passagem sobre os Tori. Ja botei ela no ar, ficou bem melhor assim. Sobre a reclusão da moça, você quer que eu detalhe mais, é isso ? Mas não sei bem em quê mais detalhes poderiam acrescentar sentido ao "COmendo com os olhos"...por isso fui sucinta...OBJ 19:28, 11 Dez 2005 (UTC)


Aqui vai um esboço de tradução, tem um termo sublinhado que eu não acho adequado mas não acho outro sinônimo, a palavra me vem em francês, é "maladresse". OBJ 10:06, 12 Dez 2005 (UTC)


Oi Tânia, Oiara,

vcs não gostariam de exportar essas narrativas e conversas (a partir das Kafquianas ameríndias) para outras páginas? Por exemplo para as Páginas Imortais, e também para dentro de algumas das páginas do Solo Etnográfico. Eu acho também que está chegando a ahora de a gente dar uma reorganizadas na estrutura das pp. do wiki. Talvez desdobrando o Solo Etnográfico (p.ex. em partes “puramente” documentais/citacionais e partes mais conceituais/dialógicas), talvez alocando “tarefas” a voluntários que se disponham a desenvolver/organizar este ou aquele pedaço, talvez também desmenbrando as páginas imortais como fizemos com a das epígrafes, etc. TSL e EVC falaram um pouco (em pessoa) sobre isso alguns dias atrás. Além disso - Oiara, você não gostaria de tocar pra frente algum aspecto? Quero dizer, dar a partida em alguma seção, tipo: o bestiário mito-cosmológico do urubu? Tem onça demais nesse wiki, tá na hora do urubu. Depois da sucuri...200.165.233.160



Tânia, a tradução ficou otima. Bem melhor assim. Eu sempre tenho medo de usar os termos mais proximos do espanhol e ai misturar as duas linguas. Esta bem melhor assim. "Todavia" não é "pero", o primeiro é "ainda" e o outro é "mas". Bjs, OBJ 19:17, 14 Dez 2005 (UTC)


Editei a tua versão da tradução nas paginas imortais, veja se ficou bom. Bjs. OBJ 09:37, 16 Dez 2005 (UTC)


Querida: A história te pôs em ponto de brasa, é? Não pode “ardendo em chamas”! Mas sim “as chamas o abraçam”; “abraçado pelas chamas”; “cingido pelas chamas”; “rodeado pelas chamas” — é isso o melhor! Melhor ainda, por restituir com mais força o caráter mágico do caminho, “orlado por chamas”. Só estou me baseando num dicionário para criança de escola, e te peço que me corrija caso necessário.

Não, ta certo, eu é que não tinha percebido isso.

Encontrei o espanhol ‘brasa’ como acepção de ‘carbón’; no brasileiro, isso soaria excêntrico; portanto fiquemos com “carvões da desgraça”.

OK, mas acho carvões da desgraça estranho também...

Gostaria de saber por que esse (reflexivo?) “se” em “se había comido todo” (En ese momento Espíritu-Luna acababa de masticar los huesos. Se había comido todo, los huesos y los carbones de leña, restos de la incineración.). O que quer dizer? apenas: “ele tinha comido tudo”? ou “ele tinha se comido todo”? Ou será simplesmente: “tudo tinha sido comido”? A diferença do português ‘todo’ e ‘tudo’ não existe no espanhol, não é?

Cara, essa pergunta ta dificil. Acho que é so uma questão de uso. Não é um reflexivo de jeito nenhum, a frase quer dizer: ele tinha comido tudo. Usa-se comerse em espanhol, sempre que ha um sujeito e um objeto (mesmo que o sujeito seja oculto). Vou tentar descobrir mais porque deve ter uma explicação gramatical melhor do que esse "é uma questão de uso"...

Quanto ao título, fiquemos com festim (mesmo, pois): [Do fr. festin < it. festino.] S. m. 1. Festa particular, ou em família; pequena festa. 2. Banquete. 3. Cartucho (3) sem projetil, usado em tiro simulado: tiro de festim. Abraços.

Ok
Idem ! OBJ

Estou me perguntando se não é o contrario que teriamos de fazer... Nao tanto desdobrar o Solo do perspectivismo, mas sim tentar incluir os desdobramentos paralelos nele... o que vc acha ? OBJ 20:49, 16 Dez 2005 (UTC)


Tânia, o texto do tabaco é extraordinario !OBJ 16:23, 22 Dez 2005 (UTC)


Oi ! Queria te perguntar como é que se faz para criar uma subpagina no AmaZone ? Vamos fazer a pagina do bestiario juntas ? Vamos urubuzar ? Você acabou as aulas das férias ? Estou tentando voltar ao AmaZone apos uns meses conturbados OBJ 08:38, 22 Março 2006 (UTC)


Tânia e Oiara, abri uma subpágina chamada "A ciência do urubu". Ela está nas Notas Provisórias. Coloquei uma citação do Coll (de onde vem o nome da página) e podemos já começar a fazê-la. Logo-logo acho que posso preparar um texto a partir da minha dissertação e linká-lo na página... Estou gostando muito da idéia! LucianaF

Oi Tania, você me escreveu ? Recebi uma mensagem sem data, mas sabe que nao lembro nem como é que manda uma mensagem por aqui, preciso voltar a treinar wiki. Acabo de acabar a tese, ha dois minutos atras, estou tentando descobrir como diabos se cita um texto do wiki numa bibliografia mas nao consigo nem ficar de olho aberto olhando para a tela do computador.. estou exausta, foi uma correria Bjs - desculpe a mensagem pessoal no wiki, apague se quiser. Nao lembro como assina: Oiara

Oi Tânia, Pois é, foi para você que escrevi literalmente dois minutos depois do ponto final e da revisao final. O texto que cito é o da Aliança e filiaçao no Anti-Edipo. Vou tentar colar a URL porque copiando ela manualmente nao funcionou. Se nao, vou citar provisoriamente o wiki, como você recomendou. Depois, para as copias oficiais eu tento melhorar isso. Estou entregando hoje a tese para o Philippe D. ler e so depois disso poderei imprimir os textos definitivos. A tese se chama : "Des proies si désirables: soumission et dérision pour les Paumari d'Amazonie brésilienne". Beijos e obrigada.


Oi Tânia !! Apos a triste e preocupante derrota de ontem, estamos aqui tentando sair da ressaca. Des proies si désirables esta fermentando...fermentando e fermentando, igual caium de Juruna. Continuo esperando o meu orientador ler e me dar os retornos, para eu poder corrigi-la e deposita-la oficialmente, e convocar a banca. Enquanto isso, o jeito é esperar. BJs e vamos amazonear sim, mas so nos amazoneamos, como é que é isso ? Bjs Oiara 08:56, 7 Maio 2007 (UTC)


Sobre fermentações e transformações

A bebida de peixe fermentado é descrita por Silva Coutinho (Alguns informantes me disseram que conservavam peixe na banha de peixe boi (ou de peixes gordos), por varias semanas, principalmente pra viajar). Diz o autor que se sentia o fedor, de longe, desse negocio. Ele afirma que essa bebida provocava a Pinta (alguns Paumari dizem isso também, e os Brancos na cidade têm essa teoria). Mas o mais interessante esta na coincidência de duas coisas aparentemente sem conexao. Esse mesmo autor diz que os Paumari administravam gordura de peixe para modificar a cor das penas das aves que criavam (não consegui checar isso no campo, porque li/descobri depois). Ora, se essa bebida é tida como a causa das manchas dos Paumari, isso faz sentido. Afinal não são eles passaros (presas) tão desejaveis ? Beijos Oiara 12:10, 22 Junho 2007 (UTC)

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